Vivendo no piloto automático: um convite à presença no cotidiano com o mindfulness
- Sandra A. G. Wiecek

- há 3 dias
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Tenho falado sobre o piloto automático, não porque ele seja algo novo, mas porque se tornou quase imperceptível na forma como vivemos.
No dia a dia, ele se revela em cenas muito comuns:
pessoas caminhando com a atenção no celular,
comendo olhando as telas e sem notar o sabor,
vivendo um dia inteiro e sentindo, ao final, que tudo passou rápido demais.

Não trago essas cenas como crítica ou julgamento, mas como um retrato do nosso tempo.
O piloto Automático não é um vilão.
Ele faz parte do funcionamento natural da mente e é uma habilidade importante. Entre outras funções, nos permite automatizar tarefas repetitivas sem precisar pensar em cada detalhe, economizando energia e nos permitindo direcionar nossa atenção para outras atividades, inclusive mais complexas:
Escovar os dentes,
dirigir um trajeto conhecido,
organizar pequenas rotinas,
tudo isso acontece porque algo em nós aprende, se adapta e automatiza.
Nesse sentido, o piloto automático não é um problema. Ele é, muitas vezes, um aliado silencioso.
O que costuma nos cansar não é a presença do piloto automático, mas quando ele se torna o modo predominante de estar no mundo.

Quando não apenas as tarefas, mas também as refeições, as conversas, os deslocamentos e até os momentos de descanso passam a acontecer sem presença.
Esse cansaço não é apenas físico. Ele nasce, muitas vezes, de um estado de alerta contínuo, em que o corpo segue respondendo a estímulos, demandas e pressões sem que haja pausas reais, pausas conscientes. Reagimos mais do que escolhemos. Seguimos o ritmo externo sem escutar os sinais internos.
Alguns sinais costumam aparecer quando isso acontece:
comer sem perceber o sabor ou os sinais de fome e saciedade do corpo,
reagir automaticamente às situações,
ter a sensação de que os dias passam rápido demais.
Esses sinais não são falhas, são simplesmente mensagens sutis de que talvez estejamos vivendo mais no modo execução do que no modo presença.
É aqui que o mindfulness entra.
Não como uma solução imediata, nem como uma promessa de mudança, mas como um convite.
Um convite a perceber. A notar quando estamos no automático e quando existe a possibilidade de estar mais presentes. Não se trata de eliminar o piloto automático, isso não seria possível e nem desejável, mas de aprender a escolher quando utilizá-lo e quando sair dele.
Essa escolha consciente pode acontecer de forma simples e cotidiana, por exemplo:
Ao pausar e observar a respiração em um momento qualquer do dia.
Ao notar as sensações no corpo do primeiro gole de água.
Ao caminhar alguns passos com mais atenção.
Ao escutar alguém de forma atenta sem formular a resposta antes do tempo.
Pequenos gestos, quase invisíveis, que vão costurando mais presença ao longo da vida real, como ela é.
No mindfulness, cada pessoa é convidada a respeitar o próprio ritmo. Não há um jeito certo de praticar, nem uma experiência ideal a ser alcançada. Cada realidade é única, cada processo é singular.
Às vezes, apenas perceber já é suficiente. Às vezes, o corpo pede mais pausa consciente. Às vezes, nomear o cansaço já traz algum alívio.
Talvez você possa levar consigo apenas uma pergunta, sem precisar respondê-la agora: em que momentos do meu dia eu percebo que não estou realmente presente?
A consciência começa assim, com um olhar gentil para aquilo que já está acontecendo.
Se esse tema ressoa em você, o Programa Qualidade de Vida Baseado em Mindfulness é um espaço de prática e partilha para quem sente o desejo de poder escolher sair do piloto automático com mais cuidado, clareza e presença, sempre respeitando o próprio tempo.
Seguimos passo a passo, com gentileza. 🌿
Sandra A. G. Wiecek








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